O que o final do ano de 2020 reserva para o mercado brasileiro?

O que o final do ano de 2020 reserva para o mercado brasileiro?
Que o ano de 2020 ficará marcado para sempre em nossas memórias e história mundial, não resta dúvida. Desde março, quando no Brasil entendemos a gravidade do vírus que mudaria todas as projeções da humanidade para o ano que ainda estava começando, o mercado foi do céu ao inferno com a mesma velocidade que o coronavírus se espalhava mundo afora.
Antes da pandemia, as projeções refletiam a esperança de crescimento do país, já que o mercado estava aquecido. Os primeiros números e perspectivas de março em diante eram devastadoras. Todos foram pegos de surpresa em todos os sentidos, empresários e empreendedores se viram totalmente vulneráveis. Mas para nossa surpresa, desta vez positiva, nove meses depois do início da pandemia o que vemos é a recuperação das empresas que conseguiram se manter vivas neste período inicial que provavelmente foi o mais crítico.
Como muitos temiam, o desemprego em massa não aconteceu e houve distribuição de renda. Foi possível notar também que em pouco tempo os hábitos das pessoas mudaram, afinal, como boa parte da população estava em casa, consumiram mais alimentos e serviços on-line. E não é difícil imaginar que com tudo isso, tivemos uma grande inversão nos hábitos de consumo e na própria matriz econômica. Alguns setores – especialmente serviços – ainda sofrem os efeitos da pandemia, enquanto outros já recuperaram ou até mesmo ultrapassaram os patamares de antes.
Contrariando boa parte das especulações iniciais, sim, muitas empresas foram na contramão da crise e não apenas se mantiveram, como cresceram nestes últimos nove meses. De forma sintomática, as soluções que se destacaram e continuam se destacando são aquelas que já estavam inseridas no universo digital e cujo seus modelos de negócio eram flexíveis e adaptáveis.
E cá estamos, entrando no último mês deste ano totalmente atípico. E o que esperar daqui em diante? É claro que é impossível esboçar qualquer cenário com precisão, aliás, como destaquei antes neste artigo, boa parte das previsões não se mantiveram em 2020. Mas sabemos também que é preciso tentar pelo menos obter alguns indicativos para não “ficar no escuro”.
Neste sentido, é importante destacar que economia brasileira manteve, ao longo do terceiro trimestre, a trajetória de recuperação após o choque da pandemia da Covid-19. Isso tem se dado principalmente devido a gradual flexibilização das restrições à mobilidade de pessoas, a ampliação do crédito a micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) com garantia do Tesouro e a política monetária expansionista, ajudam a explicar a retomada observada a partir de maio.
De junho para cá, estamos vivenciado este novo momento onde o país está recuperando parte das perdas do segundo trimestre. Além disso, é possível verificar uma expectativa mais otimista acerca do ritmo de recuperação ao longo do restante do ano. Principalmente porque a queda projetada para o PIB no ano foi revisada de 6% para 5%, enquanto, para 2021, o crescimento projetado foi mantido em 3,6%.
De novo, é claro que a intensidade da recuperação ainda depende da evolução da pandemia que infelizmente ainda não acabou. E na prática isso significa dizer que o efetivo controle da disseminação da Covid-19 é particularmente importante para o setor de serviços, que vem apresentando desempenho inferior aos demais devido às restrições ainda em vigor e ao comportamento cauteloso por parte de consumidores.
 
BENITO PEDRO VIEIRA SANTOS
Especialista em Reestruturação de Empresas