A geração Z e os desafios para as empresas

Em algum momento você empresário e/ou empreendedor já parou para refletir sobre o fato de que os jovens profissionais da atualidade possuem uma maior facilidade para lidar com as novas tecnologias, mas que ainda assim, no geral, chegam pouco preparados para as exigências das vagas existentes no mercado?

Não é difícil ver inúmeras vagas abertas onde as empresas e os recrutadores têm uma enorme dificuldade de preenchê-las, mas por qual motivo isso tem se tornado cada vez mais frequente?

A geração Z – jovens nascidos a partir do final da década de 90, podem ser realmente considerados nativos digitais, ou seja, nasceram e cresceram mergulhados em meio à tecnologia moderna da qual as outras gerações precisaram e ainda precisam se adaptar constantemente. Mas isso não significa dizer que é o suficiente para a integração desse grupo ao novo mercado de trabalho.

Além disso, é fundamental compreender o fato de que eles irão enfrentar, inevitavelmente, o fim de algumas carreiras e a redução de benefícios e salários como prevê o pesquisador geracional Jason Dorsey. Na última semana, Dorsey concedeu uma entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo", e enfatizou que “os trabalhadores nascidos a partir de 1996 terão que desenvolver uma capacidade de aprendizado constante e resiliência para lidar com as incertezas do mercado de trabalho”. A boa notícia, ainda segundo o especialista, é que essas habilidades poderão beneficiar tanto a geração Z quanto as empresas que estarão empregando esses profissionais.

É claro que para que isso aconteça, as próprias empresas e seus líderes também precisarão entender como estes jovens se portam, bem como suas características para poder extrair (no bom sentido) o máximo potencial de suas futuras equipes. Sem contar que os jovens que estão chegando nas empresas hoje terão que enfrentar um difícil cenário pela frente. Os impactos da pandemia incluem a médio e longo prazo a redução de salários, perda de benefícios e até mesmo a eliminação de algumas carreiras que não acompanharão tamanhas e irreversíveis mudanças. Porém, como bem destacou Dorsey, a geração Z também está aprendendo habilidades que podem ser úteis no futuro para as empresas tradicionais e as que ainda estão em processo de construção.

Segundo o artigo “Geração Z ingressa na força de trabalho”, publicado pela consultoria Deloitte no ano passado, os desafios dos novos profissionais em relação ao começo de suas carreiras dizem respeito aos atritos e diferenças entre eles e outras gerações, mas são também tecnológicos, por incrível que possa parecer em um primeiro momento.

Note que o primeiro ponto a determinar as transformações na entrada desses jovens no mercado é a mudança do tipo de trabalho disponível em relação ao processo de automação, ou seja, a transferência significativa dos serviços para as máquinas.

Sendo assim, o que eles precisam entender e valorizar daqui em diante:

–       Apesar da tecnologia, nunca se esquecer que por trás de qualquer dispositivo existe um ser humano;

–       Técnica não é tudo, apesar de dominar a tecnologia saber se comunicar e interpretar dados será cada vez mais fundamental;

–       Equilíbrio é a palavra da vez, saber encarar e lidar com os desafios de forma coerente será um grande diferencial.

–       E que a troca entre gerações pode ser muito rica em aprendizados e evolução.

BENITO PEDRO VIEIRA SANTOS

Especialista em Reestruturação de Empresas