A Recuperação Judicial como continuidade da empresa

A Recuperação Judicial como continuidade da empresa

As previsões são preocupantes para o segundo semestre de 2020, analistas veem sinais de uma escalada que pode levar a uma quebradeira recorde de empresas, segundo matéria veiculada no jornal valor econômico (encurtador.com.br/kxCR5). A princípio, podemos concluir que a pandemia é o grande gerador de toda a crise, ou talvez o que faltava para “transbordar o copo”, pois as empresas que já enfrentavam dificuldades terão que agir muito rápido, caso contrário, não conseguirão retomar sua operação.

 

E agora? Como saber se a Recuperação Judicial é o melhor caminho para a continuidade do seu negócio? Inicialmente temos que atualizar e analisar as métricas da empresa. Como vivemos um momento único, as informações anteriores (antes da pandemia) não servem para indicar qual o melhor caminho para o momento, a decisão deve ser tomada após atualização de todos os números da empresa e posterior análise criteriosa do atual cenário econômico e financeiro.

Não poucas vezes, somos chamados para operacionalizar o pedido de recuperação em uma determinada empresa, pois a orientação do jurídico é clara: a única saída é adentrar com o pedido e dar um “fôlego” ao caixa da empresa que não comporta todos os compromissos assumidos. No entanto, a Recuperação Judicial é algo muito sério, não pode ser levada adiante apenas para dar um “fôlego” imediato no caixa sem uma estratégia clara de como a empresa dará continuidade na sua operação.

O índice de empresas que não conseguem se recuperar é astronômico, ao meu ver por dois motivos:

1) Recuperação sem a Reestruturação: é simplesmente adiar a falência da empresa, portanto, por mais prazo e deságio que possa se conseguir num processo de recuperação judicial, se não houver estratégia para gerar caixa, será inócua.

2) Entender o atual cenário: econômico e financeiro do mercado que a empresa está inserida, pois um outro fator que leva a quebra é o “time” do pedido. Muitos empresários adiam a tomada de decisão e quando não veem mais saída entram em desespero e aceitam ingressar com pedido, que em linhas gerais acontecem da “noite para o dia”, sem nenhum planejamento prévio.

Eis, na minha opinião os dois principais motivos de um pequeno percentual das empresas conseguirem entrar e sair de um processo de recuperação judicial mantendo a perenidade de seu negócio.

Quando a empresa possui suas métricas gerenciais e contábeis devidamente atualizadas, principalmente fluxo de caixa e demonstrativo de resultado, o problema é detectado com antecedência, tempo suficiente para a elaboração de uma estratégia que abrange principalmente a negociação com os principais credores e a redução drástica de sua atual estrutura.

A pandemia do Covid-19 não pode ser considerada a única culpada pela possível quebradeira que está por vir, o colapso no caixa da empresa só acontece quando não se tem as informações corretas, ou quando as tem e não se planeja de como agir no momento em que o dinheiro ficar escasso.

Independente do momento que esteja vivendo, não deixe sua empresa desorganizada, exija de sua equipe que as métricas sejam mantidas, mesmo em home-office ou com redução de carga horária, informação correta, análise correta, só pode resultar em decisão correta.

A Avante Assessoria Empresarial é especializada em Reestruturação de Empresas, Recuperação Negocial, Recuperação Judicial e Governança Corporativa, todavia, os frutos do nosso trabalho são colhidos face as informações compiladas pela nossa competente Equipe de Controladoria, que detecta num curto espaço de tempo o seu atual momento econômico e financeiro e nos ajuda a direcionar sua empresa a tomar a melhor decisão, frente ao que está por vir.

 

Benito Pedro Vieira Santos

Especialista em Reestruturação de Empresas