Como lidar com a queda anunciada dos lucros

Como lidar com a queda anunciada dos lucros

Em função da epidemia do novo coronavírus (Covid-19) e da crise mundial em sua decorrência, como já abordamos em outras oportunidades, seria inevitável que as empresas, de praticamente todos os segmentos fossem atingidas.

E embora neste período seja extremamente necessário manter a calma e tentar buscar novas alternativas e ações para sustentar os negócios de alguma forma, a verdade é que praticamente as empresas não estavam preparadas para tudo que estamos enfrentando, principalmente, com a possibilidade que este período ainda possa se estender por mais algumas semanas de portas fechadas e falta de entrada de recursos.  

Neste contexto do mercado atual, a grande questão que fica então é: como lidar com esta queda anunciada e acentuada dos lucros de uma empresa? Em pesquisa recente realizada pela consultoria e auditoria PWC Brasil com 500 empresários de diversos ramos e tamanhos de companhias ficou evidente o fato de que mais de ⅔ (66%) dos participantes esperam que suas empresas sofreram um impacto enorme em decorrência da pandemia. E o dado mais alarmante é justamente o que indica a opinião deles em relação a redução de lucro e receitas (76%). 

Mas calma, nem tudo está perdido como aponta a mesma pesquisa em questão. Para praticamente a metade dos empresários entrevistados (45%) o impacto será rápido algo em torno de um trimestre. Ainda sobre este ponto, entretanto, o percentual é de 37% dos que esperam ver seus negócios atingidos pelo prazo de um ano. 

Em meio a todos esses dados e expectativas otimistas e outras nem tão animadoras assim, o bom senso tem prevalecido. Quase que a totalidade dos entrevistados (92%) diz ter colocado sua empresa para trabalhar no esquema home office. No grupo dos otimistas, 36% esperam que a quarentena se encerre em dois meses e 24% acreditam ser necessários 90 dias para a volta à “normalidade”.

Embora as pesquisas tenham nos ajudado a entender melhor o cenário e sair do escuro em relação ao que podemos enxergar a médio e longo prazo, o fato é que não existem respostas certas ou estratégias simples diante de cenários incertos, sobretudo quando esses cenários são resultantes de contextos mundiais. O que “força” os empreendedores a analisar e entender todas essas alterações irreversíveis no comportamento das pessoas/consumidores, ou seja, daqui em diante é preciso considerar quais ações devem ser tomadas para reduzir riscos das operações e ampliar as chances de sobrevivência dos negócios.

Principalmente em momentos assim – de crise, é sabido que empresa e empresário tendem a formar uma figura só, sobretudo em Micros e Pequenas Empresas. E para ajudar na busca pela sobrevivência dos seus negócios no curto e médio prazo, elenquei alguns pontos que podem contribuir, e para responder à pergunta central deste artigo feita lá no início. 

Dentro da empresa, o que pode ser feito agora: revisar e trabalhar custos (redução se possível), processos, pessoas, relacionamento e cultura. Quais são os três maiores custos da sua empresa hoje? Depois que tiver encontrado a resposta, reflita, existe alguma ação ou opção para torná-los mais acessíveis? Se não for possível reduzir, tente renegociar ou postergar. Pode ser que nesse movimento, com esforço direcionado, você ganhe 1 ou 2 meses de sobrevivência (que serão cruciais para o atual cenário).

Fora da empresa, o que é preciso fazer: buscar manter as atuais fontes de receita, bem como, explorar novas fontes e novos canais de comunicação. Dependendo do seu produto/serviço, crie novas estratégias e aborde novos possíveis clientes. Se as portas estiverem literalmente fechadas, envolva sua equipe na busca por novas ideias e elabore novas estratégias. Este pode ser um bom momento para você testar a relevância das redes sociais e/ou criação de grupos e listas para contatar via WhatsApp, por exemplo. O que não pode é ficar parado esperando tudo passar, movimente-se, reinvente a forma de vender se preciso for.

Desenvolva ações e não ansiedade: um dos principais problemas gerados por uma crise é o foco exagerado que tendemos a dar no que nos desafia e nos preocupa, até aí normal. Mas passar dias pensando sobre um determinado ponto sem encontrar soluções, costuma causar ainda mais ansiedade e nervosismo, o que deixa tudo ainda mais acentuado. Então, neste sentido é quebrar esta lógica, não torne o problema seu único e principal foco. Ao agir assim, você automaticamente fecha os olhos para tudo que está acontecendo a sua volta, principalmente as oportunidades. Além disso, lembre-se que em períodos de crise é importante contar com a rede de apoio (familiares, amigos ou mesmo colegas de trabalho) podem ajudar a passar pelos problemas e até encontrar soluções que você não conseguiu sozinho.

Não mude os planos principais, adie: perceba que a capacidade de se planejar e de pensar no futuro é algo importante na crise, pois permite trazer uma relativa normalidade ao momento. Na prática isso quer dizer que manter os planos que haviam sido feitos ou refazê-los considerando as limitações do momento é essencial para se organizar. Desse modo, é possível ter uma direção a seguir, mesmo que seja necessário rever as rotas.



BENITO PEDRO VIEIRA SANTOS

Especialista em Reestruturação de Empresas