Como lidar com a Sucessão Familiar

Toda empresa com uma história de sucesso no mercado em algum momento precisará refletir sobre sua continuidade a médio / longo prazo. Apesar de ser um raciocínio lógico e até mesmo uma questão que deve ser tratada de forma natural, nem todas as empresas se preocupam com a “passagem de bastão”.

 

Algumas questões permeiam a situação:

 

  • Quando devo iniciar o processo de Sucessão?
  • Qual herdeiro(a) será o(a) líder, o(a) mais velho(a) ou o(a) mais capacitado(a)?
  • Os(as) herdeiros(as) terão partes iguais ou receberão de acordo com os seus méritos?

 

Responder a perguntas como essas são apenas o começo de um processo que pode definir a continuação ou não de um negócio. Até o início do século XIX, não havia muita opção a seguir, em linhas gerais o filho mais velho assumia o negócio da família ou seguia a mesma profissão do pai, portanto, se o pai era médico, sapateiro, artesão, comerciante seu filho praticamente não tinha escolha, deveria seguir o mesmo caminho, independente de sua vocação.

 

  • O Sucessor(a) tem vocação para o negócio da família?

 

Eis uma palavra a ser levada em conta no processo de Sucessão, VOCAÇÃO (termo derivado do verbo no latim “vocare” que significa “chamar”. É uma inclinação, uma tendência ou habilidade que leva o indivíduo a exercer uma determinada carreira ou profissão). Muitas organizações familiares acabam negligenciando qualquer tipo de planejamento, com isso potencializam as chances de ocasionar uma série de danos patrimoniais, emocionais e empresariais.

 

Essa falta de atenção em relação a um assunto tão importante ajuda a explicar porque apenas 25% das empresas familiares (segundo o SEBRAE) conseguem sobreviver à segunda geração. O número realmente é alarmante e demonstra o quanto a sucessão familiar precisa ser tratada como prioridade e não como medida paliativa.

 

Obviamente esse processo envolve muitas questões emocionais, ou seja, é comum famílias entrarem em conflito quando se fala em sucessão familiar. Para resolver isso, o ideal é que profissionais especializados sejam contratados para estarem à frente do projeto, distribuindo entre os possíveis herdeiros(as) as devidas funções.

 

À medida que essas ações forem sendo desenvolvidas, será possível observar quem entre os herdeiros(as) possuem maior facilidade para a gestão da empresa, fazendo os devidos ajustes, quando necessário. Isso porque para otimizar este processo com a maior agilidade e economia possível, é vital realizar um planejamento de sucessão patrimonial profissional que minimiza a pulverização do patrimônio e os conflitos familiares.

E por mais que seja um assunto delicado, não se iluda, quando emoção, poder e dinheiro se misturam, é necessário ter muito cuidado para não gerar uma discórdia constante na família. Esses atritos são melhores administrados quando há um planejamento de sucessão, garantindo um bom futuro ao patrimônio. O planejamento estruturado e profissional deve ser composto em períodos como: curto, médio e longo prazo, considerando toda a sistemática de gestão já existente, analisando os cenários internos e externos.

 

É preciso fazer uma análise minuciosa do cenário da empresa e isso garantirá a transferência do patrimônio com o menor custo tributário, mantendo o poder decisório e a livre administração dos bens por parte do sucedido, quando for necessário. A definição do sucessor, se um profissional do mercado ou um membro da família, vem de um longo caminho de negociações e preparo junto ao quadro de sucessores.

 

Perceba ainda que muitas vezes esse caminho até é percorrido pelo fundador ao eleger seu escolhido(a), mas isto não é garantia de um futuro sereno. No decorrer do tempo, após o afastamento do principal acionista (em geral pelo falecimento) as desavenças começam a ser um peso para a empresa ao invés de uma continuação estratégica.

 

A sucessão não precisa ser tratada como um tabu e muito menos gerar tantos conflitos e estresse como acontece em vários casos. É fundamental que isto seja tratado de maneira adequada e sem crises, pois a história mostra inúmeros casos de insucesso devido a sucessões mal planejadas.

 

A AVANTE ASSESSORIA EMPRESARIAL pode te auxiliar no planejamento e na execução de todo o processo considerando as particularidades de cada grupo familiar e empresarial.

Não podemos esquecer que esse processo é transitório, tendo melhores resultados, quando possível com a presença do atual detentor(a) da empresa, sua vivência à frente do negócio poderá ser compartilhada e desenvolvida com o sucessor(a). Quando a Sucessão é encarada como um processo necessário e estratégico, tudo fica mais fácil e racional, pense nisso.

 

BENITO PEDRO VIEIRA SANTOS

Especialista em Reestruturação de Empresas